Violência psicológica fragiliza ainda mais a mulher em tratamento contra câncer



A violência psicológica é a mais difícil de ser identificada. No caso de mulheres em tratamento contra o câncer, já fragilizadas pela doença e problemas de autoestima, fica ainda mais difícil reconhecer essa agressão. É por isso que o CHAME (Centro de Apoio Humanitário à Mulher) incluiu na programação do Mês da Mulher, uma conversa com o Grupo Girassol, composto por mulheres que já superaram ou lutam contra essa doença na Unacon (Unidade de Assistência de Alto Complexidade em Oncologia) do HGR (Hospital Geral de Roraima). A conversa ocorreu na manhã desta segunda-feira (9).

“A Unacon nos convidou para participar do Grupo para informar sobre violência doméstica, que as vezes acontece dentro do lar. Quando essa mulher recebe esse diagnóstico, o companheiro começa a chantagear, a humilhar pelo fato de ter câncer e, muitas desconhecem que isso é uma violência psicológica”, explicou a coordenadora do CHAME, Elizabete Brito.

Ela também alerta que quando uma mulher vive um ciclo de violência, ela pode deixar de se cuidar devido à baixa autoestima, podendo ter um diagnóstico tardio da doença. “Porque essa mulher que sofre com violência psicológica ou física há muito tempo deixa de se cuidar, de fazer exames periódicos, e a autoestima dela está fragilizada”, pontuou.

O Grupo Girassol acompanha 20 mulheres que estão ou já passaram pelo tratamento contra o câncer de mama. Com sete anos de atuação, a coordenadora do Grupo, Nara Lisiane, compartilha que já atendeu pacientes com histórico de violência doméstica e consideravam essas atitudes normais no relacionamento. “Geralmente quando a mulher descobre que tem câncer, o homem pula do barco e deixa a companheira sozinha. E muitas começam a relatar que durante toda a vida se sentiam entristecidas porque eram xingadas, chamadas de feia, burra e outras palavras.”

Uma das acompanhadas pelo Grupo é a cozinheira Lisiane Mendes, de 44 anos. Diagnosticada em 2012, já passou pela quimioterapia e uma cirurgia para retirada da mama. Apesar de não vivenciar essa realidade de violência, conta que o apoio do marido e dos familiares ajudou nesse momento. “Foi determinante o apoio deles, do meu esposo, minha filha e amigos. Graças a Deus que superei tudo.”

Texto: Vanessa Brito

Foto: Alfredo Maia

SupCom ALE-RR

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