Núcleo Reconstruir aposta no diálogo para tratar agressores e prevenir novos episódios


Autores de violência aprendem sobre Lei Maria da Penha e feminicídio; objetivo é ressocializar o agressor para interromper o ciclo de violência e proteger futuras vítimas




Na última semana, o episódio de uma adolescente de 16 anos esfaqueada pelas mãos do ex-companheiro virou notícia em Boa Vista. No mesmo dia, houve uma tentativa de feminicídio. Tratar o agressor é proteger futuras vítimas, trabalho que é realizado pelo Núcleo Reflexivo Reconstruir, ligado à Assembleia Legislativa de Roraima, por meio da Procuradoria Especial da Mulher.


Para enfrentar o drama da violência doméstica contra as mulheres, o núcleo utiliza o diálogo e a sensibilização para ressocializar o autor da violência, para que não haja reincidência.


Uma vez por semana acontecem os encontros em grupo, com palestras e rodas de conversa. Lá, são instigados a refletir sobre as questões de gênero e a Lei Maria da Penha. Além disso, fala-se sobre paternidade, família, autoestima, drogas e álcool.


Para a Procuradora Especial da Mulher, deputada Lenir Rodrigues (PPS), a construção histórica e cultural faz com que as condutas violentas praticadas por homens sejam internalizadas nas relações como algo normal. Sem reflexão, essas atitudes podem levar a algo mais sério, como o feminicídio.


“Quando, por exemplo, o homem impede a mulher de ver amigos e familiares, ou controla suas roupas e celular, é violência psicológica. É aí que se inicia o ciclo, que muitas vezes acaba em tragédia”, explicou.


Para ela, muitos homens têm dificuldade em expressar seus sentimentos e acabam recorrendo a violência.


“Ensinar a ouvir e agir por meio de outra linguagem, que não a violência verbal ou física, é um dos objetivos do núcleo, que busca um efeito ressocializador no condenado, utilizando a psicoterapia” explicou.


Os participantes também são atendidos individualmente por uma equipe multiprofissional composta por psicólogo, assistente social, advogado e pedagogo.


ENCAMINHAMENTO - Os agressores são apenados do Tribunal de Justiça, encaminhados para o Núcleo pelo juiz da Vara de Execução de Penas e Medidas Alternativas (VEPEMA); Centro Humanitário de apoio à Mulher (CHAME), demais entidades do Poder Público. Homens da sociedade em geral também podem buscar voluntariamente o grupo de apoio. A Procuradoria Especial da Mulher funciona na Av. Ville roy, nº 5717, Centro – 2º andar, sala 204, das 7:30h às 13:30h, de segunda à sexta-feira.

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